Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu

22 de julho de 2008

SAIR SEM ADEUS



Você nem me disse adeus.

Nem foi preciso,
pois teus gestos
já demonstravam.

Eu sabia
que o amor não existia.
Só persisti por desespero,
por solidão.

É forte a coragem
de uma mulher
para ainda tentar.

Em contrapartida,
pode ser maior
a covardia de um homem
para simplesmente partir.

Quando não há
amor verdadeiro,
é mais fácil sair
sem dizer adeus.

.
Ferina izil
Artesãdaspalavras | izilgallu

21 de julho de 2008

HOMEM INVERSO

Descrevo-te
tal como te penso.

Foges a todo ideal.

És um grande homem
com um pequeno coração.

Teus desejos,
de tão fracos,
sumiram nos teus medos.

Teus sonhos
já não existem mais.
Só sobraram pesadelos.

Tua sombra te apaga.

És o inverso do normal:
ao invés de aprenderes
com a vida,
só fizeste regredir.

artesãdaspalavras
izilgallu
.
Ferina izil

18 de julho de 2008

FUTILIDADES

Que Deus me perdoe,
se ele realmente existir.

Que não leve
tão em conta
a cínica que me tornei.

Já não vejo
ao meu redor
nada que tenha
muita utilidade.

Tudo é tão fútil,
puro egoísmo,
cada qual pensando
apenas em si mesmo.

Vejo risos de sarcasmo,
ouço palavras de ironia.

Mas já não me importo.

Tudo se tornou
tão ridiculamente superficial
que começo a perceber:
talvez ninguém
valha realmente a pena.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

17 de julho de 2008

RISCO COM FACÃO

Trago comigo riscos,
marcas no peito
feitas com facão.

Marco a pele dos inimigos,
tatuo com ferro em brasa
palavrões.

Sou cruel.

A maldade é minha arma.
Uso-a para avisar
que sou perigosa.

Não passem por mim
me olhando.
Abaixem os olhos
ao me ver.

Não gosto de suas
caras ridículas,
fingindo inocência,

porque sei
que são todos
ladrões de almas,
de vidas,
de corações.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

16 de julho de 2008

O PECADO











De novo,
nossa mente
surpreende-nos.
É o perigo rondando
nosso presente,
nosso futuro.
O pecado nos faz
arriscar a pele,
pelo prazer.
Mas somos mascarados.
Não podemos nos perder,
nem riscos correr,
nem dos limites sair.
Somos ferozes,
ameaçadores.
E vamos quebrar as
amarras de nossa mente.
Esqueceremos dos perigos
e penetraremos no prazer.
Eu e você...
Vamos pecar
e feliz seremos.



artesãdaspalavras

izilgallu

15 de julho de 2008

COVARDEMENTE VIVENDO


Tu deverias ser o forte.
Esta era a regra do jogo.

Desde sempre,
os machos eram
os protetores.

Mas estás seguindo
o rumo inverso.

Já não tens
o poder de me proteger.

Acabou...

Desististe
de ser o forte.

Tornaste-te pequeno,
frágil,
covarde.

Enfim,
morreste para a vida
ou estás apenas
vivendo covardemente?

.

Artesãdaspalavras | izilgallu

foto ReinaldoFerro

14 de julho de 2008

VOCÊ NÃO É DEUS


VOCÊ NÃO É DEUS

Não me julgue.
Você não é perfeito.

Não queira me dizer
como devo viver.
Você não é Deus.

Não me critique.
Você não me conhece
o suficiente
para me decifrar.

Aliás,
nem eu mesma
consegui me decifrar.

Não se ache superior,
pois não é.

Não existe ser perfeito.
Não neste estágio,
não nesta vida.

Você não é
tão importante assim.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

13 de julho de 2008

O TEMPO, TEMPO


O tempo, tempo
não para, para.

O tempo, tempo
passa, passa,
mata, mata.

O tempo, o tempo
marca, marca.

O tempo
não espera.

O tempo
vai embora.

A vida
acaba.

O tempo passa,
tudo fica
para trás.

O tempo
é sempre
o tempo.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

12 de julho de 2008

TRÉGUA

De repente,
tudo se tornou mais claro.

A nuvem negra afastou-se.
O coração acalmou-se.

Nada estava tão perdido
que não pudesse
ser recuperado.

Tudo ficou mais fácil
de ver...
de sentir...

Não que o medo
tenha dado trégua,
mas entender o medo
já é tentar enfrentá-lo.

O coração tem razão.
A razão não tem coração.

Trégua.
Paz.
Momentos.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

10 de julho de 2008

QUASE AMANTES

















Nós já nos falamos tanto,
já somos íntimos,
quase amantes.

Você já me conhece
quase por inteiro.

Você é aquele homem
de voz macia,
sensual,
que adora conquistar.

Eu sou aquela
que adora exclusividade,
que quer ser conquistada,
ser amada.

Mas já estou
me acostumando
à ideia de que
ninguém é de ninguém.

Então, por favor,
seja somente meu
no exato momento
em que comigo estiver.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

9 de julho de 2008

PENSAMENTOS BELOS

RUPTURA DA RAZÃO

O ponto exato,
o desequilíbrio da vida,
a ruptura da razão...
o que é,
senão a paixão?

Horas vividas intensamente.
Momentos de plenitude.
Vida vivida loucamente.

Nada é calmo.
Tudo é forte,
intenso,
rápido.

Paixões são únicas.

São como relâmpagos:
explodem,
iluminam,
silenciam.

Surgem e desaparecem
com a força
de um tufão.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu
foto Marco Ricca

8 de julho de 2008

ENCONTREI

Não ando mais
na eterna busca
que tanto escrevi
em tantos poemas.

Já sei mais de mim.
Conheço o certo
e o errado.

Não tenho mais
que esconder
meus desejos.

Já posso gritar
para quem quiser ouvir.

Acabaram meus medos,
minha censura,
minha procura.

Achei o que tanto buscava.

Estava mais perto
do que eu imaginava.
Estava ao meu alcance
todo esse tempo.

Foi só estender os braços
e abrir meu coração.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

7 de julho de 2008

SANTA EU?

Sou santa...
Mentira, sou profana!

Não,
não sou profana.
Sou simples.

Não...
talvez eu seja
mesmo vulgar.

Tenho desejos ocultos,
tenho sonhos...
obscenos.

Sou assim!
E daí?

Qual o problema?
São meus os sonhos.

Desafio a me provarem
quem não os tem,
quem é imune
a pensamentos pecaminosos.

Os santos?

Mas onde existem santos?

Talvez no céu,
talvez ao léu.

Ou no imaginário geral.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

foto de Alba Luna

6 de julho de 2008

ÉS MEU BALSAMO

Gosto da tua calma,
ela me traz paz.

És um bálsamo
em minha vida,
que me ajuda
a curar feridas
que um dia
uma FERA me fez.

Teu abraço
me conforta,
me protege.

És minha barreira
contra os ataques
daquela FERA.

És o colírio
que alivia
meus olhos
que sangram.

És meu porto seguro.

Não mais ficarei
à deriva em minha vida,
pois agora
tenho você.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

5 de julho de 2008

TAPA NA CARA

Ela preferia sentir a dor do amor
como a dor de um corte de navalha.

Preferia um tapa na cara
a ouvir aquelas palavras clichê:

“Eu te amo”,
“um dia vamos viver juntos”,
“ainda não posso”...

O que ela queria mesmo
era que ele estivesse ao seu lado,
tê-lo a toda hora, em qualquer lugar,
não somente em horas e lugares
predeterminados,
escondidos...

Ela queria sentir que
ele a amava nas ruas,
nos bares, na vida.

Preferia que a verdade
a cortasse
a ser acariciada
pela mentira.

Não queria aquelas
migalhas de horas marcadas,
nem palavras bonitas,
nem mentiras estudadas.

Não era esse seu querer,
por isso, em vez de sentir
a dor da navalha,
ela o fez sentir
para que ele soubesse
o que era o amor.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu
foto JPSOUSA

4 de julho de 2008

MEUS FANTASMAS

Sou assim, meio iludida.
Tenho fantasias,
crio amores,
paixões...
e finjo que são reais.

Vivo num mundo
que beira a loucura,
querendo tornar
meus sonhos reais.

Busco, de todas as maneiras,
encontrar em alguém
algum sinal
de que meus sonhos
possam ser reais.

Se existe,
eu não sei.

Mas, se não encontrar,
não me importo mais.

Vivo feliz
com meus fantasmas,
pois eles me compreendem
e me dão paz.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

3 de julho de 2008

VOU PARTIR


Vou partir.
Vou atrás de meus sonhos.

Vou andar pelo mundo,
por terras novas caminharei.

Quero...
conhecer novos amores,
saber muitos nomes,
novas palavras ouvir,
sentir outros gostos,
ouvir muitas vozes.

Um poeta não pode
ficar estacionado.

Precisa, para suas poesias,
de emoções que arrepiam,
do coração pulsando,
do sangue borbulhando.

Quero ir embora.
Quero saber mais.

Preciso de novas aventuras.
Ainda tenho muita vida.

Preciso achar
o outro lado do arco-íris.

Quero meu pote de ouro
ou, talvez,
um pote de amor...

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

2 de julho de 2008

MORTA NATUREZA

Laços longos,
amarras apertadas,
nós desfeitos,
vínculos quebrados.

Natureza morta,
alma viva.

Simplório, o humano.
Nada mais a desejar.

Criatura cruel,
infiel.

Maldade nata,
maldade mata.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

1 de julho de 2008

DESAPAREÇO

Desapareço...
sou assim mesmo,
meio enigmática.

Gosto deste jogo
de gato e rato,
a caça me fascina.

Apareço de repente
só para te atrapalhar.

Não gosto do sossego.
Quero deixar meus sinais,
quero que fiquem marcados
em tua vida
os meus desafios.

Se puderes me acompanhar,
deixa o sossego para trás.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu
foto Alba Luna

30 de junho de 2008

MEL EM FEL


MEL EM FEL

Amores transitórios
são melhores.

Passam rápido,
não deixam ranço,
nem marcas profundas.

São mais bem lembrados,
dão frio na barriga,
aceleram o coração.

Vêm com paixão,
vão com o vento.

São intensos,
quase mortais,
mas vão como chegaram.

Ficam pouco,
deixando boas lembranças.

Nada comparado
às convivências seculares,
que transformam
o doce mel
em fel.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

29 de junho de 2008

CALMA DE UM MONGE

Gostaria de ter
a calma de um monge,
mas não tenho.

Não sei esperar.
Quando quero,
tem que ser urgente,
senão perde a validade,
a importância.

Não consigo ficar
no banco de reserva,
esperando a minha vez.

Quero logo entrar no jogo,
senão perco o interesse.

Não tenho mais tempo
para esperas.

Minha vontade é intensa,
mas breve.

Se não for alimentada,
morre como uma flor,
seca sem água.

Mas renasce novamente
para outra novidade,
outro interesse,
outro amor.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

28 de junho de 2008

AVISE-ME

Por favor, responda-me,
mande-me qualquer sinal.
Não acredito que teu amor
se desfez como fumaça.

Por favor, me informe:
como vais? Como estás?
Não é possível que possas
sumir sem olhar para trás.

Se algum dia me amou,
se algo era real,
responda-me, avise-me
com qualquer sinal.

Servem cartas, telegramas,
mails, bilhetes,
até mesmo, se puder,
sinais de fumaça.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

25 de junho de 2008

NÃO EXISTIMOS MAIS


NÃO EXISTIMOS MAIS

Não existe mais o “nós”,
não fazemos mais um par.
Fomos divididos.

Você ficou com o lado
que escolheu:
escondido,
encolhido.

Eu fiquei no outro lado,
que não havia escolhido:
desocupada,
desiludida,
na espera do nada.

Nunca fomos mesmo um par.
Éramos somente dois sonhadores
tentando encontrar-nos.

Mas não foi possível.
Você não quis.

Sua covardia foi maior
que nossos sonhos.

Então acordamos,
e os nossos sonhos
dissiparam-se,
desfizeram-se.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

24 de junho de 2008

DESENCONTROS


Você era para ser meu,
mas o destino desviou-te
do meu caminho
e para longe carregou-te.

Agora não podemos
mais encontrar-nos.

Do que era nosso,
outros tomaram posse.

Ficamos sendo pares
de amores errados,
que não eram
para nós designados.

Só nos resta agora
o coração triste,
o sentimento
de um vazio eterno
e a certeza
de um grande desencontro.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

23 de junho de 2008

PALAVRAS OFENSIVAS

Palavras podem ser ousadas,
malcriadas, ofensivas.

Ando à procura de uma
para te qualificar.

Mas aí, então,
não poderei publicar,
porque algumas palavras
não ficam bem em poemas.

Então, o que farei
é te ignorar.

Penso que pode ser bem ofensivo
fingir que nunca exististe.

Ou, se exististe,
já morreste.

Talvez tenhas morrido mesmo
de rir da minha cara,
só porque um dia te amei,
acreditei no que dizias,
e foi assim que me enganei.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

19 de junho de 2008

VOCÊ...ADEUS

Você está sumindo
de minha memória.

Tua ausência me fez
apagar-te aos poucos.

Primeiro foram...
os olhos.

Depois...
os lábios,
o toque de tuas mãos,
o calor dos teus beijos.

Já não consigo mais
me recordar de você.

Por mais que eu não queira,
você está indo embora.

Falta pouco
para eu esquecer
teu nome.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

.
foto Alba Luna

SALVADOR






Em minha morada
brilha sempre o sol













Moro aonde nunca
chega o frio
Há um imenso mar azul
ao lado da minha morada
com ondas constantes
num vai e vem inspirador











Moro na cidade sem invernos,
na cidade do sol,
Moro em SALVADOR
.
izilgallu

18 de junho de 2008

ALEGRIA FORÇADA

Triste tentativa de fuga
de uma vida cansada,
triste busca
nas alegrias forçadas.

Enganos que a mente
dá a corações exaustos.

Enganos precisos...
necessários...
para a sobrevivência.

Vida vivida,
arrastada,
pesada.

Presa a amores
atormentadores.

Isto é o viver
do ser humano
que não sabe
como se libertar.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu

foto de A.Brito

17 de junho de 2008

SEI FERIR

Sou assim, meio avessa
às pessoas ditas normais.
Meus gostos podem surpreender.

Gosto de grandes paixões,
bebidas fortes.
Coisas doces não me atraem.

Quero amores amargos,
que, como os chocolates amargos,
são os melhores
e me fazem bem.

Amor tem que teimar, discordar,
para depois tudo acalmar,
senão torna-se aquela coisa
morna das vidas
tidas como normais,
aquela água com açúcar.

Quero mais que isto.
Nada pouco, quero muito.

Sou atrevida, não se engane.
Sou forte.
Sou capricorniana.
Defendo meus quereres
com fervor.

Não abuse.
Sei ferir.

.
Artesãdaspalavras | izilgallu