"O BOM DA PAIXÃO
É QUE É RENOVÁVEL"
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*artesãdaspalavras*
Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu

31 de julho de 2008

PROSA


Prosa,
versos,
poemas,
frases.

Palavras ao vento,
diálogo dos sonhos,
conversa do pensamento.

Entende quem pode,
decifra quem quer.

Palavras sábias,
palavras sem sentido.

O que realmente importa
são os sentimentos
que se escondem
entre as palavras.

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27 de julho de 2008

COVARDIA


Quero-te, é verdade,
mas existe um “mas”,
como sempre.

Você não pode, mas quer,
e eu quero, mas não posso.

Então, como ficamos?

Não ficamos,
não nos unimos.

Somente o desejo no ar,
nas palavras,
na malícia
do querer sem poder,
sem ter.

Por medo,
covardia.

Você é covarde.

Sou covarde também...

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26 de julho de 2008

PAIXÃO O QUE É?

A paixão não é feita
de esperas,
promessas,
enganos.

A paixão é muito mais que isso.

É feita de urgências,
vontades,
desejos ardentes.

Não existe meia paixão.
Não existe distração
na paixão.

Ela requer atenção
rápida e total.

Se ela existe,
quer agora,
hoje,
sempre...
enquanto durar.

Se é algo morno,
algo que pode esperar,
então não é paixão.

É amizade,
talvez até
um amor morno.

Mas quem quer
um amor morno?

O desejo é de uma
paixão ardente.

Amor morno é ideal
para os acomodados,
desiludidos,
acovardados.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

25 de julho de 2008

PALAVRAS


 















Brinca com elas o poeta.

Forma,
deforma,
cria frases
com nexo,
sem nexo.

Crê o poeta
que sabe usá-las.

Usa-as para descrever
os sentimentos mais
tolos,
loucos,
confusos.

Usa-as como arma,
como veneno.

Usa-as para atrair
um amor
e para trair
um ex-amor.

PALAVRA:

arma perigosa,
poderosa.

Armadilha
de poetas loucos.

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22 de julho de 2008

SAIR SEM ADEUS



SAIR SEM DIZER ADEUS

Você nem me disse adeus.

Nem foi preciso,
pois teus gestos
já demonstravam.

Eu sabia
que o amor não existia.
Só persisti por desespero,
por solidão.

É forte a coragem
de uma mulher
para ainda tentar.

Em contrapartida,
pode ser maior
a covardia de um homem
para simplesmente partir.

Quando não há
amor verdadeiro,
é mais fácil sair
sem dizer adeus.

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Ferina izil

21 de julho de 2008

HOMEM INVERSO

Descrevo-te
tal como te penso.

Foges a todo ideal.

És um grande homem
com um pequeno coração.

Teus desejos,
de tão fracos,
sumiram nos teus medos.

Teus sonhos
já não existem mais.
Só sobraram pesadelos.

Tua sombra te apaga.

És o inverso do normal:
ao invés de aprenderes
com a vida,
só fizeste regredir.

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Ferina izil

18 de julho de 2008

FUTILIDADES

Que Deus me perdoe,
se ele realmente existir.

Que não leve
tão em conta
a cínica que me tornei.

Já não vejo
ao meu redor
nada que tenha
muita utilidade.

Tudo é tão fútil,
puro egoísmo,
cada qual pensando
apenas em si mesmo.

Vejo risos de sarcasmo,
ouço palavras de ironia.

Mas já não me importo.

Tudo se tornou
tão ridiculamente superficial
que começo a perceber:
talvez ninguém
valha realmente a pena.

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17 de julho de 2008

RISCO COM FACÃO

Trago comigo riscos,
marcas no peito
feitas com facão.

Marco a pele dos inimigos,
tatuo com ferro em brasa
palavrões.

Sou cruel.

A maldade é minha arma.
Uso-a para avisar
que sou perigosa.

Não passem por mim
me olhando.
Abaixem os olhos
ao me ver.

Não gosto de suas
caras ridículas,
fingindo inocência,

porque sei
que são todos
ladrões de almas,
de vidas,
de corações.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

16 de julho de 2008

O PECADO











De novo,
nossa mente
surpreende-nos.
É o perigo rondando
nosso presente,
nosso futuro.
O pecado nos faz
arriscar a pele,
pelo prazer.
Mas somos mascarados.
Não podemos nos perder,
nem riscos correr,
nem dos limites sair.
Somos ferozes,
ameaçadores.
E vamos quebrar as
amarras de nossa mente.
Esqueceremos dos perigos
e penetraremos no prazer.
Eu e você...
Vamos pecar
e feliz seremos.



artesãdaspalavras

izilgallu

15 de julho de 2008

COVARDEMENTE VIVENDO



Tu deverias ser o forte.
Esta era a regra do jogo.

Desde sempre,
os machos eram
os protetores.

Mas estás seguindo
o rumo inverso.

Já não tens
o poder de me proteger.

Acabou...

Desististe
de ser o forte.

Tornaste-te pequeno,
frágil,
covarde.

Enfim,
morreste para a vida
ou estás apenas
vivendo covardemente?

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izilgallu

Ferina izil

Poema criado em 28.07.2008


Foto ReinaldoFerro

14 de julho de 2008

VOCÊ NÃO É DEUS


VOCÊ NÃO É DEUS

Não me julgue.
Você não é perfeito.

Não queira me dizer
como devo viver.
Você não é Deus.

Não me critique.
Você não me conhece
o suficiente
para me decifrar.

Aliás,
nem eu mesma
consegui me decifrar.

Não se ache superior,
pois não é.

Não existe ser perfeito.
Não neste estágio,
não nesta vida.

Você não é
tão importante assim.

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13 de julho de 2008

O TEMPO, TEMPO


O tempo, tempo
não para, para.

O tempo, tempo
passa, passa,
mata, mata.

O tempo, o tempo
marca, marca.

O tempo
não espera.

O tempo
vai embora.

A vida
acaba.

O tempo passa,
tudo fica
para trás.

O tempo
é sempre
o tempo.

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12 de julho de 2008

TRÉGUA

De repente,
tudo se tornou mais claro.

A nuvem negra afastou-se.
O coração acalmou-se.

Nada estava tão perdido
que não pudesse
ser recuperado.

Tudo ficou mais fácil
de ver...
de sentir...

Não que o medo
tenha dado trégua,
mas entender o medo
já é tentar enfrentá-lo.

O coração tem razão.
A razão não tem coração.

Trégua.
Paz.
Momentos.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

10 de julho de 2008

QUASE AMANTES

















Nós já nos falamos tanto,
já somos íntimos,
quase amantes.

Você já me conhece
quase por inteiro.

Você é aquele homem
de voz macia,
sensual,
que adora conquistar.

Eu sou aquela
que adora exclusividade,
que quer ser conquistada,
ser amada.

Mas já estou
me acostumando
à ideia de que
ninguém é de ninguém.

Então, por favor,
seja somente meu
no exato momento
em que comigo estiver.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

9 de julho de 2008

PENSAMENTOS

RUPTURA DA RAZÃO

O ponto exato,
o desequilíbrio da vida,
a ruptura da razão...
o que é,
senão a paixão?

Horas vividas intensamente.
Momentos de plenitude.
Vida vivida loucamente.

Nada é calmo.
Tudo é forte,
intenso,
rápido.

Paixões são únicas.

São como relâmpagos:
explodem,
iluminam,
silenciam.

Surgem e desaparecem
com a força
de um tufão.

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Artesãdaspalavras | izilgallu
foto Marco Ricca

8 de julho de 2008

ENCONTREI

Não ando mais
na eterna busca
que tanto escrevi
em tantos poemas.

Já sei mais de mim.
Conheço o certo
e o errado.

Não tenho mais
que esconder
meus desejos.

Já posso gritar
para quem quiser ouvir.

Acabaram meus medos,
minha censura,
minha procura.

Achei o que tanto buscava.

Estava mais perto
do que eu imaginava.
Estava ao meu alcance
todo esse tempo.

Foi só estender os braços
e abrir meu coração.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

7 de julho de 2008

SANTA EU?

Sou santa...
Mentira, sou profana!

Não,
não sou profana.
Sou simples.

Não...
talvez eu seja
mesmo vulgar.

Tenho desejos ocultos,
tenho sonhos...
obscenos.

Sou assim!
E daí?

Qual o problema?
São meus os sonhos.

Desafio a me provarem
quem não os tem,
quem é imune
a pensamentos pecaminosos.

Os santos?

Mas onde existem santos?

Talvez no céu,
talvez ao léu.

Ou no imaginário geral.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

foto de Alba Luna

6 de julho de 2008

ÉS MEU BALSAMO

Gosto da tua calma,
ela me traz paz.

És um bálsamo
em minha vida,
que me ajuda
a curar feridas
que um dia
uma FERA me fez.

Teu abraço
me conforta,
me protege.

És minha barreira
contra os ataques
daquela FERA.

És o colírio
que alivia
meus olhos
que sangram.

És meu porto seguro.

Não mais ficarei
à deriva em minha vida,
pois agora
tenho você.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

5 de julho de 2008

TAPA NA CARA

Ela preferia sentir a dor do amor
como a dor de um corte de navalha.

Preferia um tapa na cara
a ouvir aquelas palavras clichê:

“Eu te amo”,
“um dia vamos viver juntos”,
“ainda não posso”...

O que ela queria mesmo
era que ele estivesse ao seu lado,
tê-lo a toda hora, em qualquer lugar,
não somente em horas e lugares
predeterminados,
escondidos...

Ela queria sentir que
ele a amava nas ruas,
nos bares, na vida.

Preferia que a verdade
a cortasse
a ser acariciada
pela mentira.

Não queria aquelas
migalhas de horas marcadas,
nem palavras bonitas,
nem mentiras estudadas.

Não era esse seu querer,
por isso, em vez de sentir
a dor da navalha,
ela o fez sentir
para que ele soubesse
o que era o amor.

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Artesãdaspalavras | izilgallu
foto JPSOUSA

4 de julho de 2008

MEUS FANTASMAS

Sou assim, meio iludida.
Tenho fantasias,
crio amores,
paixões...
e finjo que são reais.

Vivo num mundo
que beira a loucura,
querendo tornar
meus sonhos reais.

Busco, de todas as maneiras,
encontrar em alguém
algum sinal
de que meus sonhos
possam ser reais.

Se existe,
eu não sei.

Mas, se não encontrar,
não me importo mais.

Vivo feliz
com meus fantasmas,
pois eles me compreendem
e me dão paz.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

3 de julho de 2008

VOU PARTIR


Vou partir.
Vou atrás de meus sonhos.

Vou andar pelo mundo,
por terras novas caminharei.

Quero...
conhecer novos amores,
saber muitos nomes,
novas palavras ouvir,
sentir outros gostos,
ouvir muitas vozes.

Um poeta não pode
ficar estacionado.

Precisa, para suas poesias,
de emoções que arrepiam,
do coração pulsando,
do sangue borbulhando.

Quero ir embora.
Quero saber mais.

Preciso de novas aventuras.
Ainda tenho muita vida.

Preciso achar
o outro lado do arco-íris.

Quero meu pote de ouro
ou, talvez,
um pote de amor...

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Artesãdaspalavras | izilgallu

2 de julho de 2008

MORTA NATUREZA

Laços longos,
amarras apertadas,
nós desfeitos,
vínculos quebrados.

Natureza morta,
alma viva.

Simplório, o humano.
Nada mais a desejar.

Criatura cruel,
infiel.

Maldade nata,
maldade mata.

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Artesãdaspalavras | izilgallu

1 de julho de 2008

DESAPAREÇO

Desapareço...
sou assim mesmo,
meio enigmática.

Gosto deste jogo
de gato e rato,
a caça me fascina.

Apareço de repente
só para te atrapalhar.

Não gosto do sossego.
Quero deixar meus sinais,
quero que fiquem marcados
em tua vida
os meus desafios.

Se puderes me acompanhar,
deixa o sossego para trás.

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Artesãdaspalavras | izilgallu
foto Alba Luna