Sou completamente
desordenada.
Não consigo arrumar
minha desordem.
Mas não é
uma desordem qualquer.
Ela tem até
uma certa ordem.
“Desordem agrupada”
é a melhor maneira
de descrevê-la.
Coisas aqui,
ali,
acolá,
mas pertencentes
ao mesmo grupo.
Em algum lugar
estão agrupados
os sentimentos.
Amores,
em uma gaveta,
mas não sei em qual.
O egoísmo,
jogado num canto.
A fúria,
trancada no cofre.
A inveja
já não tenho mais.
Joguei toda fora.
Desejos
ainda tenho,
mas estão adormecidos.
A alegria
parece que perdi
em algum lugar
difícil de achar.
O rancor
está sempre perto,
mas é descartável:
não dura
mais que um minuto.
O choro
está aqui,
no peito.
Sinto falta mesmo
é da paixão.
Não a encontro
em nenhuma gaveta,
armário,
porão,
nem pelas ruas
tenho visto
a paixão passar.
A esperança,
essa sim,
sei onde está.
Está bem
ao alcance
de minhas mãos.
artesãdaspalavras
izilgallu~
postado originalmente em
13 de novembro de 2008