
Ela preferia sentir a dor do amor
como a dor de um corte de navalha.
Preferia um tapa na cara
a ouvir aquelas palavras clichê:
“Eu te amo”,
“um dia vamos viver juntos”,
“ainda não posso”...
O que ela queria mesmo
era que ele estivesse ao seu lado,
tê-lo a toda hora, em qualquer lugar,
não somente em horas e lugares
predeterminados,
escondidos...
Ela queria sentir que
ele a amava nas ruas,
nos bares, na vida.
Preferia que a verdade
a cortasse
a ser acariciada
pela mentira.
Não queria aquelas
migalhas de horas marcadas,
nem palavras bonitas,
nem mentiras estudadas.
Não era esse seu querer,
por isso, em vez de sentir
a dor da navalha,
ela o fez sentir
para que ele soubesse
o que era o amor.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
foto JPSOUSA
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