Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu
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29 de agosto de 2007

MINHA CARÊNCIA

Hoje acordei carente.

Percebi que, mesmo cercada
de pessoas, sou uma solitária.

Mesmo tendo companheiro,
não tenho mais amor.
Não recebo mais bom-dia,
beijos na boca, abraços apertados,
declarações de amor.

Sou mesmo solitária.
E parece ser definitivo.

Como posso amar de novo?
Como posso me apaixonar?

Pelo mesmo que há tanto
não me nota mais?
Por outro que não posso notar?

Alguém ainda há de me querer?
Ainda terei beijos ardentes,
abraços,
carinhos?

Sei que ainda não morri,
pois olhei no espelho
e me vi.

Até algumas palavras ouvi.
Talvez algumas ordens,
pedidos de prestação
de serviço...

Só não lembro se alguém
a mim respondeu
quando “bom-dia” falei.

Mas a vida é mesmo estranha:
transforma-nos
em seres invisíveis.

Ficamos vendo a vida
passar,
sem poder acompanhar.

.

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