Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu
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10 de outubro de 2010

LUA

A Lua tem me esperado.
Há tempos ela tem paciência.
Todas as noites me manda mensagens:
“Será hoje?
Vamos voltar a olhar o céu?”
Ela tem esperança
de que eu ainda volte a admirá-la,
como fazia outrora,
nos tempos em que eu ainda amava,
no tempo em que eu tinha ilusões.
Mas ficaram para trás
aqueles tempos.
E a Lua ainda espera
que eu volte atrás.
Voltarei, com certeza.
Mas só o tempo dirá
se voltarei a amar.


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22 de abril de 2010

DESPISTANDO


Despisto a tristeza.
Procuro não mais pensar.

Faço tanto esforço
que realmente já não consigo lembrar
de como é amar.

Sei lá como será o futuro
e o que me trará.

Talvez um amor?

Talvez, finalmente,
a paz.


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26 de março de 2009

ATRAVESSEI


Atravessei a rua,
a cidade,
o país.

Atravessaria o mundo
só para te encontrar.

São tantas vontades
para realizar.

Tantos sonhos
para concretizar.

Você é
o meu maior desejo.

Em busca
dos meus desejos

devo caminhar

até te encontrar
e poder amar.


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24 de fevereiro de 2009

MORTA EU?


Já não sei mais
o que sinto.

Tudo tornou-se
vazio
ou confuso.

Não sei.

Talvez ambos.

Talvez nada.

Nada está mais ali,
ou talvez esteja,
e eu não veja.

Parei de sentir.

Acabaram meus sentimentos.

Mas é mentira.

Eles nunca acabam.

Tornam-se quietos,

esperando
algum movimento externo
para se fazerem
presentes novamente.

Mas, se estou
mal-amada,
que posso fazer?

Tenho que aguardar?

Deixar tudo
como está?

Não quero.

Não gosto
deste não sentir.

Não gosto
de não gostar.

Quero amar,

para que meus sentidos
e meus sentimentos
acordem.

Por que
esta barreira
se formou?

O que tenho
que fazer?

Não sei...

Estou morta?

.

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16 de setembro de 2008

A MULHER

Ela surgiu
como a lua cheia:

linda,
vigorosa,
deslumbrante.

Veio
com intenções ocultas,

um brilho estranho,
intenso,

e um segredo
grandioso.

Ela chegou
para ficar,

para amar,
para vibrar,

para derrubar
tabus.

Ela quer alegria.

Ela quer vida.

Quer ser livre.

Quer apenas

ser

MULHER.

.

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22 de agosto de 2008

CAMINHOS PROIBIDOS


Estou de novo
no caminho do perigo.

Este desejo
de lugares proibidos
me consome.

Minha mente
me prepara

para que meu corpo
possa arriscar a pele

nesta luta
pelo prazer.

Sou mulher...

Aqui escolho
meus caminhos.

Passo
e deixo

meu cheiro
de fêmea.

Conheço
os extremos:

do ódio
ao amor,

da alegria
à tristeza,

do choro
ao riso.

Somos mulheres.

Estamos aqui,
neste mundo,

para o maior
de todos os feitos:

amar

e sermos
amadas.

.

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6 de maio de 2008

LIBERTAR AS PALAVRAS



Disse um poeta
que fazer poemas
é soldar palavras.

Discordo dele.

Fazer poemas é
libertar as palavras,
escrevê-las livres,
sem amarras,
expressar-se sem algemas.

Fazer poemas é
lançar as palavras
ao léu, aos céus,
para os enamorados,
para os desconsolados,
para os que ainda
têm esperança de amar.

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foto SofiaZasheva

22 de abril de 2008

ASSIM SERÁ



Assim irei te amar:
vou te aninhar,
vou te proteger,
tua cabeça acariciar,
te abrigar em meu peito.

Ser tua amiga,
ser tua mulher.

Te libertar,
quebrar todas as tuas amarras,
te endoidecer de prazer,
te fazer gozar.

Em noites frias,
te aquecer.
Te fazer rir,
fazer cantar,
fazer esquecer
coisas amargas,
ex-amores e ingratidões.

Vou te amar.

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29 de agosto de 2007

MINHA CARÊNCIA

Hoje acordei carente.

Percebi que, mesmo cercada
de pessoas, sou uma solitária.

Mesmo tendo companheiro,
não tenho mais amor.
Não recebo mais bom-dia,
beijos na boca, abraços apertados,
declarações de amor.

Sou mesmo solitária.
E parece ser definitivo.

Como posso amar de novo?
Como posso me apaixonar?

Pelo mesmo que há tanto
não me nota mais?
Por outro que não posso notar?

Alguém ainda há de me querer?
Ainda terei beijos ardentes,
abraços,
carinhos?

Sei que ainda não morri,
pois olhei no espelho
e me vi.

Até algumas palavras ouvi.
Talvez algumas ordens,
pedidos de prestação
de serviço...

Só não lembro se alguém
a mim respondeu
quando “bom-dia” falei.

Mas a vida é mesmo estranha:
transforma-nos
em seres invisíveis.

Ficamos vendo a vida
passar,
sem poder acompanhar.

.

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25 de agosto de 2007

QUASE ME APAIXONEI



Quase te amei.

Encantei-me
com tuas doces palavras,
melodias que sussurravas
em meu ouvido.

Quase me apaixonei.

Teus olhos
me hipnotizaram.
Tua boca...
me fascinou.

Mas não pude
realmente te amar,

porque sei
que a todas
tens enfeitiçado
com a mesma intensidade.

Descobri
que és um Don Juan.

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