Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu
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15 de julho de 2026

DISTRAÇÃO



A distração me levou à morte.
Eu sempre soube disso,
mas nunca me importei muito.

Sabia que ela viria,
me apagaria por dentro,
deixando apenas a carcaça.

A vida é má com quem se descuida.
Ela é boa somente com os egoístas,
pois estes nunca se distraem com os outros.

São sempre donos de si
e assim vivem das recompensas
de seus anos economizados,
que não usaram com ninguém.

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Postada originalmente em 17.08.2010

5 de julho de 2026

POEMA IMUNDO

Tento remover a maquiagem,
mas ela está entranhada em minha pele,
assim como a sensação
das mãos estranhas
que passaram pelo meu corpo.
Sinto-me impura,
suja,
repugnante.
Não sei como voltar
à vida real.
Não dá mais.
Tudo está mudado.
Tudo está podre.
Não tenho referências:
lá fora,
as ruas;
aqui dentro,
o inferno.
Tudo é igual.
As noites
não são piores
que os dias.
Tudo transformado
em sofrimento.
Estou à beira da morte.
Da morte física,
pois as outras partes de mim
já morreram:
a dignidade,
a alma,
a beleza,
o encanto.
Nada mais me resta
senão me jogar
em mãos sujas
mais uma noite
e esperar
que tudo isto acabe.
.

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Este poema não é autobiográfico. Nasceu das histórias de mulheres que conheci e que viveram a exploração, a violência e a perda da dignidade. A voz em primeira pessoa pertence a uma personagem — síntese de tantas vidas. Não quis julgá-las, mas entrar em sua dor e lembrar: a sujeira nunca esteve nelas, e sim nas mãos que as feriram.

16 de janeiro de 2009

A MORTE

 

A tristeza é profunda.
Dói lá no centro
do coração,
quando o medo
rodeia nossa alma.
O medo da morte.
A simples menção
da palavra morte
já é suficiente
para o coração doer.
Qualquer que seja
a razão da morte:
um amor que morreu,
um amigo que se foi,
um ente querido,
um animal de estimação.
Falamos muitas vezes:
“Quando eu morrer,
quero assim,
quero aquilo.
Quando eu morrer,
quero que me esqueçam.”
Mas a verdade
é que não queremos
que este dia
chegue jamais.
Não somos preparados
para enfrentar
a maior das perdas,
nem a nossa
própria morte.
Não fomos programados
para aceitar a morte,
somente para morrer.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu

5 de setembro de 2008

O FIO DO AMOR

Falamos da mesma coisa,
mas de modo inverso.
Falo como se eu fosse
começar uma vida de amor.
Você fala como se fosse
terminar a vida
sem direito ao amor.
Se o amor é tão importante,
deveria ser o principal.
Conformar-se com a morte
é triste,
é por demais irreal.
Não podemos perder
a meada deste amor.
Precisamos encontrar
o fio que conduz
nós dois
a este mesmo amor.
.
Artesãdaspalavras
izilgallu
foto SofiaZasheva

27 de abril de 2007

TUDO UM NADA

Uma vida toda
vivida sem amor.

Uma história
inacabada.

Tudo se iguala a

um livro fechado,
um vaso quebrado,
um retrato rasgado.

Nenhum suspiro.
Nenhuma lágrima.

Tudo sem vida.
Tudo um nada.

Era assim a vida.
Era assim a morte

de alguém
que esqueceu de viver

e apenas viu
sua própria vida
e a de todos
ao seu redor

passar.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
foto de Alba Luna