Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu

17 de fevereiro de 2011

SOU O QUE SOU


Sou tímida.
Uso as palavras
para me enganar.
Sou covarde.
Não dou um passo além da
linha demarcada.
Engano-me nesta fantasia.
Quero ser outra,
mas não desgrudo do
meu porto seguro.
Um porto vazio de sentimentos,
mas que me mantém
algemada.
Quero ir ao encontro do novo,
mas é tão difícil
desvencilhar-se do velho.
Sou rebelde...
somente no papel.
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11 de fevereiro de 2011

SINTO SIM


Sinto tua falta.
Quero teus beijos,
teus abraços,
teus carinhos,
tuas palavras amigas.
Sinto tanto tua falta
que me estremece o coração.
Só que uma coisa me incomoda:
como posso sentir tua falta
se nunca te conheci?
Talvez eu nunca saiba
o sabor da tua boca,
o calor do teu corpo.
Penso que nunca sentirei.
É estranho este sentimento
de querer sem nunca ter provado.
O desejo deixa cega
toda a minha lucidez.
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DESEJOS ACUMULADOS


Entendo as palavras
que estão nas entrelinhas
de tuas escritas.

Entendo tudo o que dizes.

Aceito,
faço gosto,
sou sincera.

A nobreza do ser humano
pode estar nas atitudes.
Se o que queres está dito,
não devo te contradizer.

Somos movidos por emoções,
mas em ritmos diferentes.
Desejos venho acumulando
ao longo de minha vida.

Difícil é realizá-los.

Mas peço aos céus,
aos deuses,
às estrelas,
a tudo que puder
me ouvir.

Sou muito sentimental,
mas entendo meus limites.

Minha hora ainda não passou
só me resta esperar.
Talvez um dia eu possa encontrar
alguém cheio de amor
que possa me salvar.
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5 de fevereiro de 2011

SEM RAIZES


Não adianta tentar me abalar,
mexer com minhas raízes.
Nada vai acontecer.
Não tenho raízes.
Elas foram cortadas quando nasci,
jamais voltaram a nascer.
Não grudo em nada,
nem em ninguém
Aprendi desde sempre que
somos todos descartáveis.
E, assim sendo,
não devemos
prender-nos a nada.
Só grudo nas palavras.

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26 de janeiro de 2011

DESEJO



QUERER...

Um desejo.
Uma vontade imensa.
Um acorde musical,
às vezes suave,
outras vezes alucinante.


DESEJO...

Algo inexplicável.
Querer sem saber.
Sentir o inimaginável.
Buscar o impossível.
Tudo parece irreal.
Mas o desejo
não precisa ser palpável
para existir.
Nem sempre faz sentido.
Nem sempre se realiza.
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22 de janeiro de 2011

VOCÊ O ESCOLHIDO



Preciso de você
para de esperanças me encher,
para confiança me dar,
para que eu possa escrever.
Este você pode não entender,
pode até não querer,
mas não vai deixar de viver.
Você é um dos muitos
que cruzaram meu caminho,
mas é o único agora.
E o importante é somente
o instante presente,
que é você.
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17 de janeiro de 2011

CÃO SEM DONO











Sou como um cão sem dono,
necessitando de carinho,
mas, ao mesmo tempo,
não sei receber.
Vivo assustada,
com medo de ser enxotada,
de levar pauladas,
de sofrer.
Por isso,
como um cão sem dono,
vivo vagando
de um lado para o outro,
sem a ninguém me apegar.

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14 de janeiro de 2011

UMA BRASINHA


Você me deu a vida
como uma brasinha
Colocou-me no meio da lenha
mas depois esqueceu de assoprar,
Deixou-me lá pequenina,
e sozinha fiquei tentando
manter-me acesa
Você....
Esqueceu de olhar para trás
“Pai”
sua filha izilda

izilgallu

9 de janeiro de 2011

CAMINHOS COMUNS



Não sei nada
do que falas,
meu camarada.
Não andei
por suas paradas.
Minhas andanças
foram outras,
sem muito glamour,
sem muitas aventuras.
Tudo muito normal.
Não conheci o mundo
do seu ponto de vista.
Minha visão sempre
foi estreita,
tampada.
Não conheci muitos amores,
não beijei muitas bocas,
não balbuciei muitos nomes.
Sempre fui
muito comum.
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6 de janeiro de 2011

ESCREVER SEMPRE

O poeta é um enganador,
engana a si mesmo
e aos outros com louvor.

Escreve palavras doces,
palavras ácidas,
sensuais.

Escreve seus pensamentos,
descreve seus desejos ocultos,
sem temor.

Escreve porque, no fundo,
não é um realizador.

Escreve porque não tem coragem
de concretizar tudo o que,
no papel,
descreve sem timidez.


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1 de janeiro de 2011

MUDANÇAS


Novo ano,
novas esperanças.
Tão simples assim,
tudo vai mudar.
Vamos mudar nossos hábitos,
atitudes,
manias,
amores,
ideias.
Todo ano é o pensamento coletivo:
tudo vai mudar,
tudo vai melhorar.
E assim vão se passando os anos,
trocando-se os números,
e nada muda realmente.
Tanta confiança numa simples
mudança de horas,
e nada acontece realmente.
Mas tudo é válido,
pois vivemos de esperanças.
E mesmo quando nada muda,
continuamos a acreditar
que tudo vai melhorar...
algum dia.
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