Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu

5 de fevereiro de 2011

SEM RAIZES


Não adianta tentar me abalar,
mexer com minhas raízes.
Nada vai acontecer.
Não tenho raízes.
Elas foram cortadas quando nasci,
jamais voltaram a nascer.
Não grudo em nada,
nem em ninguém
Aprendi desde sempre que
somos todos descartáveis.
E, assim sendo,
não devemos
prender-nos a nada.
Só grudo nas palavras.

.

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26 de janeiro de 2011

DESEJO



QUERER...

Um desejo.
Uma vontade imensa.
Um acorde musical,
às vezes suave,
outras vezes alucinante.


DESEJO...

Algo inexplicável.
Querer sem saber.
Sentir o inimaginável.
Buscar o impossível.
Tudo parece irreal.
Mas o desejo
não precisa ser palpável
para existir.
Nem sempre faz sentido.
Nem sempre se realiza.
.
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22 de janeiro de 2011

VOCÊ O ESCOLHIDO



Preciso de você
para de esperanças me encher,
para confiança me dar,
para que eu possa escrever.
Este você pode não entender,
pode até não querer,
mas não vai deixar de viver.
Você é um dos muitos
que cruzaram meu caminho,
mas é o único agora.
E o importante é somente
o instante presente,
que é você.
.
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17 de janeiro de 2011

CÃO SEM DONO











Sou como um cão sem dono,
necessitando de carinho,
mas, ao mesmo tempo,
não sei receber.
Vivo assustada,
com medo de ser enxotada,
de levar pauladas,
de sofrer.
Por isso,
como um cão sem dono,
vivo vagando
de um lado para o outro,
sem a ninguém me apegar.

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14 de janeiro de 2011

UMA BRASINHA


Você me deu a vida
como uma brasinha
Colocou-me no meio da lenha
mas depois esqueceu de assoprar,
Deixou-me lá pequenina,
e sozinha fiquei tentando
manter-me acesa
Você....
Esqueceu de olhar para trás
“Pai”
sua filha izilda

izilgallu

9 de janeiro de 2011

CAMINHOS COMUNS



Não sei nada
do que falas,
meu camarada.
Não andei
por suas paradas.
Minhas andanças
foram outras,
sem muito glamour,
sem muitas aventuras.
Tudo muito normal.
Não conheci o mundo
do seu ponto de vista.
Minha visão sempre
foi estreita,
tampada.
Não conheci muitos amores,
não beijei muitas bocas,
não balbuciei muitos nomes.
Sempre fui
muito comum.
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6 de janeiro de 2011

ESCREVER SEMPRE

O poeta é um enganador,
engana a si mesmo
e aos outros com louvor.

Escreve palavras doces,
palavras ácidas,
sensuais.

Escreve seus pensamentos,
descreve seus desejos ocultos,
sem temor.

Escreve porque, no fundo,
não é um realizador.

Escreve porque não tem coragem
de concretizar tudo o que,
no papel,
descreve sem timidez.


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1 de janeiro de 2011

MUDANÇAS


Novo ano,
novas esperanças.
Tão simples assim,
tudo vai mudar.
Vamos mudar nossos hábitos,
atitudes,
manias,
amores,
ideias.
Todo ano é o pensamento coletivo:
tudo vai mudar,
tudo vai melhorar.
E assim vão se passando os anos,
trocando-se os números,
e nada muda realmente.
Tanta confiança numa simples
mudança de horas,
e nada acontece realmente.
Mas tudo é válido,
pois vivemos de esperanças.
E mesmo quando nada muda,
continuamos a acreditar
que tudo vai melhorar...
algum dia.
.
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30 de dezembro de 2010

ANO NOVO

A todos meus amigos,
que por aqui passaram durante
o ano, tiveram paciência para
ler minhas escritas, agradeço
de coração e desejo
UM NOVO ANO CHEIO DE
AMOR, SÁUDE, DINHEIRO,
AMIGOS, E ALEGRIA......
.
izilgallu

22 de dezembro de 2010

DEBAIXO DA PORTA

Vou olhar por
debaixo da tua porta.

Te descobrir.
Saber de teus pecados.
Te espreitar.
Saber tuas andanças.

Vou abrir tua porta.
Não me basta mais
olhar por debaixo.

Quero ir além
Nos teus olhos
poder penetrar.

Teu coração conquistar.
Tua alma cortejar.

Vou ir além
do teu olhar.

Quero que me vejas
e me compreendas.

Que saibas de mim,
dos meus desejos.

Quero
o teu olhar
por debaixo
da porta.

.
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poesia de 01-03-07

17 de dezembro de 2010

RETALHADA

Sinto-me em cacos,
retalhada,
despedaçada.
Não tenho mais sombra,
não sou mais ninguém.
Meus sonhos se foram.
Minha poesia acabou.
Sou certa,
mas estou errada.
Tenho visão,
mas nada enxergo.
Tenho coração,
mas não amo.
Tenho mãos
que nada afagam.
Tenho lábios
que não sabem mais
sorrir.
Sou triste.
Sou só.
.
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16 de dezembro de 2010

A TAL FELICIDADE

Busquei por tempo
indeterminado
a tal felicidade.
Procurei em rostos conhecidos,
desconhecidos,
algum sinal.
Enganei-me algumas vezes.
Não era ainda a chegada
da tal felicidade.
Procurei incansavelmente
no céu,
na terra,
no mar,
nos amores.
Nunca a achei...
Sinto agora que talvez
ela esteja dentro de mim,
e somente eu
posso libertá-la.
Então poderei experimentar
a tal felicidade.
.
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8 de dezembro de 2010

A DOR NA CHUVA




A chuva cai
torrencialmente
lá fora.
Eu, aqui aquecida,
fico pensando:
quantas criaturas
estão por aí,
no meio da chuva,
sem eira nem beira?
Talvez derramem
tantas lágrimas
quanto as gotas
da chuva que cai.
Com certeza,
seus ossos doem,
seus corpos latejam.
E eu,
aqui em meu canto,
me sentindo
infeliz.
.
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BOM GOSTO








Ela já o tinha provado.
Já sabia daquele gosto.
Uma vez experimentado,
não se esquecia do sabor.
.
Ela já o tinha amado.
E, com todas as forças,
tentou odiá-lo.
Mas lembrava-se mesmo
era do sabor.
.
A dor lhe vinha à mente.
Rodopiava em sua cabeça.
Mas perdia as forças
quando se lembrava do sabor.
.
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4 de dezembro de 2010

PIMENTA QUE ARDE








Malcriada
Sou assim,
malcriada.
Arrependo-me desta estupidez.
Falo sem pensar,
por impulso.
Erro tudo.
Peço desculpas depois.
Todos os dias
faço promessas:
vou ser mais controlada,
mais calada.
Vou pensar antes de falar.
Mas não adianta.
De repente,
tudo muda.
E viro do avesso
de novo.
Sou veneno puro.
Pimenta que arde.
Sou assim...
Não mudo.

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25 de novembro de 2010

VERDADES


Não sei de suas verdades,
elas nunca foram cristalinas.
Mas sei de suas mentiras,
elas sempre foram
bem claras para mim.
Somente o meu amor
não é suficiente
para que a nossa vida continue.
É preciso muito mais,
talvez não mais de você.
Outro, talvez,
mais claro,
interessado,
amigo.
Enfim,
um amor real.
.
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20 de novembro de 2010

OS LOUCOS











Você é louco,
eu sou louca.
Nada em nós faz sentido.

Somos diferentes,
ficamos distantes.

Mas juntos,
usamos palavras de amor;
longe,
palavras de ódio.

Não te entendo,
não me entendes.
Falamos línguas diferentes,
mas somos tão iguais.

Por isso,
divergimos tanto.

As palavras são
mal interpretadas,
e então o verbo
se torna feroz.

.
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15 de novembro de 2010

EXILADA VIVENDO







Exilada
da vida,
dos amores,
das alegrias.
Exilada
na indiferença.
Exilada da juventude,
da multidão,
da paixão.
Vida sem vida.
Alegria triste.
Falta emoção.
.
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13 de novembro de 2010

ÓDIO DO AMOR



Quase um começo,
um início,
um raio,
uma desestruturação total,
uma paixão.
De repente,
o recuo,
a negação,
o disfarce,
o medo,
o não querer querendo,
o afastamento.
Novamente a vontade,
a aproximação,
a mentira,
o não compromisso,
a falsidade.
Resultando na dor,
no sofrimento,
no desejo secreto,
na vontade amarga:
o ódio do amor.
.
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9 de novembro de 2010

A FACE OCULTA DAS PALAVRA


Preste atenção
nas palavras de uma poesia.

Nem sempre dizem
o que parecem dizer.

Toda palavra
guarda um segredo.

Alguns o decifram,
outros passam por ele
sem perceber.

Há palavras com pudor.
Outras, não.

Algumas revelam
o que a voz
não ousa dizer.

Podem ser malditas
ou mal ditas.

Parecem claras,
mas carregam sombras.

Preste atenção.

Às vezes,
uma única palavra
abre o que estava oculto
e se torna revelação.

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30 de outubro de 2010

ACABOU O TEMPO

Os pensamentos se embaralham.

No fim,
não aproveitamos tudo.
Coisas vão ficando para trás.

Coisas novas, seminovas, usadas.
Sentimentos, amores, amigos.

Vamos acumulando,
vamos adiando,
vamos esquecendo.

Não há tempo para tudo
o que queremos.

Nem enxergamos mais
o que guardamos,
de tão guardado que está.

Queremos viver tudo.
Ter tudo.
Conhecer tudo.

Mas a vida passa
mais depressa
do que nossos desejos.


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28 de outubro de 2010

SOLITÁRIA








Na multidão
ou
num canto,
na praça,
na festa.
Sigo trilhas,
pistas,
desencontros,
desvios.
Continuo à procura
do ser que eu queria ser
e que não sou.
Solitária.
Entre amores impostos,
destinados,
forçados.
Assim não me acho.
E vou vivendo
a vida de outro,
que não era
para ser a minha.
.

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20 de outubro de 2010

POETISA



Tal qual um poeta
que sonha um dia
ser um grande escritor,

sou assim com as palavras,
imaginando que um dia
serei uma poetisa.

Escreverei belas poesias
que falem de amor
e não de dor.

Escreverei somente
mensagens suaves,
qual o canto de um pássaro.

Serei poetisa
e, com as palavras,
espantarei a tristeza
que trago trancada em meu peito
e que tanto me faz sofrer.


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10 de outubro de 2010

LUA

A Lua tem me esperado.
Há tempos ela tem paciência.
Todas as noites me manda mensagens:
“Será hoje?
Vamos voltar a olhar o céu?”
Ela tem esperança
de que eu ainda volte a admirá-la,
como fazia outrora,
nos tempos em que eu ainda amava,
no tempo em que eu tinha ilusões.
Mas ficaram para trás
aqueles tempos.
E a Lua ainda espera
que eu volte atrás.
Voltarei, com certeza.
Mas só o tempo dirá
se voltarei a amar.


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