Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos, minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao longo dos anos, transformei em palavras o que vivi, imaginei, desejei e senti. Amor, ausência, solidão, desejo, sonhos e tantas contradições da vida. Tentei traduzir sentimentos que nem sempre cabem em palavras. Se consegui? Não sei. Mas valeu a tentativa. Poemas autorais. Quando a Alma escreve. Artesãdaspalavras | izilgallu

1 de agosto de 2010

A ARANHA


Teia..Teia
Tece a teia a aranha,
num formato tão bonito.

Mal sabe a presa
que a beleza
é o fim do seu destino.

Artesãdaspalavras | izilgallu


27 de julho de 2010

DESERTOR


Eu ando ao seu lado
Por vezes tão perto,
tão dentro
Mas você não percebe
Vive em função de suas
memórias, de sua solidão
Sua vida é possuída de
sombras, demônios, carências
Você quase não percebe
mais a minha presença
Vive na solidão
É um desertor da vida
Tento inutilmente resgatá-lo
dos momentos de loucura
Fazê-lo voltar à vida,
novamente sorrir
Mas nossas almas já
não se entendem mais
Você faz malcriação
Eu o largo na mão

.
Artesãdaspalavras/izilgallu

20 de julho de 2010

EU

Olá meus amigos
Esperam-me,
não desistam de mim
Estou voltando, estou saindo
da concha em que me encontro
tentando arrastar-me para fora
novamente.
.
izilgallu

10 de julho de 2010

NÃO TE TEVE


Vejo-te inteiro.
Tuas entranhas, tuas emoções,
teu coração.

Sei de todos teus pecados,
tuas vergonhas.

Sei que queres ser amado,
desesperadamente,
urgentemente.

Sei que estás à beira do desespero,
pois quem queres não te quer.

Por quê?

Não te vê
como eu.

Artesãdaspalavras | izilgallu

imagem: Pintura Francis Bacon

9 de julho de 2010

O LAMENTO

O lamento, penso eu,
tem a cor vermelha.
Fecho os olhos
e vejo a união
do lamento e do vermelho.
É vermelho
como a cor da dor.
Lamento,
dor,
vermelho.
Tudo uma coisa só,
a se confundir
em minha mente.
.
artesãdaspalavras/izilgallu

5 de julho de 2010

OS FALSOS

Quando amanhece,
e as caras deslavadas
dos falsos aparecem
diante dos espelhos,
algo deveria acontecer
naquele momento.
Um arrependimento qualquer.
Ao se encararem,
deveriam ver
a própria crueldade
estampada.
Mas, se assim fosse,
não haveria mais espelhos.
Os falsos não se julgam.
Acham-se leais.
Mas leais a quem?
Ao diabo?
Que, se existir,
deve carregar
muitas almas falsas,
arrastá-las
em seus infernos particulares,
que um dia terão
de enfrentar.
E então deveriam lamentar
por estarem no inferno
e não poderem usufruir
da falsa vida,
da falsa moral,
da falsa conduta.
Só que nunca
se lamentarão,
pois nada recordam
da verdadeira crueldade
que nos fizeram passar.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferinaizil


POEMA CRIADO 01.09.2008

24 de junho de 2010

DEMENTE ESTOU


Deixarei para trás as desilusões.

Não mais delirarei com paixões.
Não mais acreditarei na dor.

Deliberadamente,
serei verdadeira.

Decididamente,
não vou mais te querer.

Devidamente enquadrada nas normas,
viverei.

Descerei ao inferno,
se preciso for.

Demente estou.

E talvez permaneça
adormecida de luto
numa cama de espinhos.

Artesãdaspalavras | izilgallu

17 de junho de 2010

RACIONAL/IRRACIONAL


Olho o mundo e não compreendo.
Como pode ser tão má a humanidade?

Humanidade...
aquela formada por seres humanos.

Mas não seriam os humanos
os seres racionais?

E não deveria o ser racional
compreender, entender, pensar?

Irracional não é o mundo animal?

Mas o animal não é aquele que vive em paz?
Que mata apenas por fome?
Que vê sua espécie extinta
pelo ser dito racional?

Não entendo mesmo.

Acho que não sei mais
o que significam as palavras
“racional” e “irracional”.

Artesãdaspalavras | izilgallu 

postada pela 1º vez 26/12/2006

13 de junho de 2010

DESPERTAR


Esta calma e morna vida
não me agrada mais.

Quero o perigo.
Quero novas conquistas.
Andar por caminhos proibidos.
Atiçar desejos dormentes.
Viver uma vida desregrada.

Não quero mais amarras.
Quero escolher os caminhos.

Sair da escuridão,
ver a luz brilhar
em todos os caminhos.

Artesãdaspalavras | izilgallu


foto de DomLeoture

postado 1a.vez em 29-08-09

6 de junho de 2010

TEATRO DA VIDA

Começar sempre.
Sina?
Destino?
Ser humano.
Ter esperanças.
Realidades são cruas.
Paixões são utopias.
Imaginar seguro,
ter como perdido.
Nada é real.
Tudo é fantasia.
Máscaras velhas,
usadas,
surradas,
antigas.
Ignorância forçada.
Submissão comprada.
Gestos estudados.
Cenas calculadas.
Eterna encenação.
.
artesãdaspalavras/izilgallu

5 de junho de 2010

MORDAZ












Não preciso de piedade.
Não preciso que enxugues
minhas lágrimas.
Posso fazê-lo sozinha.
Sei carregar minha cruz.
Não imploro afeição.
Dá quem quer.
Não preciso de amor fugaz,
nada parecido com
vento,
fumaça,
nuvens que passam.
Não necessito de ajuda.
Quero amor real.
Amor que queima,
que aquece
como o fogo da lareira.
Quero emoções fortes,
como raios e trovões.
Afagos e acenos,
eu dispenso.
Meio sorriso não quero.
Quero gargalhadas.
Quero beijos e abraços.
Tapinhas nas costas
são para os funerais.
.

Artesãdaspalavras / izilgallu

25 de maio de 2010

NÃO ENTENDO


Teu silêncio tem voz.
Tua presença é uma sombra.

Teus sentimentos são rastros
de um amor que não vingou.

Era pequeno,
era pouco,
abafou,
ou acabou.

Não sei por quê.

De repente,
tudo se transformou em nada.

Não entendo mais os sentimentos,
que mais parecem fumaça,
levada pelo vento.

Artesãdaspalavras | izilgallu

22 de maio de 2010

NOVAS PARADAS



Vou além.

Procurar novas paradas,
descobrir novos horizontes.
Ultrapassar fronteiras.
Seguir para o desconhecido.

Quero sair dos limites,
andar por outras trilhas,
conhecer novos mundos.

Correr outros perigos,
enfrentar os inimigos que em mim habitam.

Buscar respostas
para tantas interrogações.

Partir deste mundinho
tão pequeno, tão restrito.

Artesãdaspalavras | izilgallu


primeira postagem 22/03/2007


21 de maio de 2010

SOMBRA













Vejo-te ao meu lado,
sempre a me seguir,
a imitar meus gestos,
meus movimentos.
Acompanhas-me,
silenciosa,
misteriosa.
Rodeias-me,
envolves-me.
Sorris com meu sorriso.
Olhas com meus olhos.
Vigias-me.
Sombra...
Tu és infeliz.
De mim não te libertas,
e a mim não dás liberdade.
.

artesãdaspalavras/izilgallu

20 de maio de 2010

A CHEGADA DA NOITE



A noite chega de mansinho,
sem estardalhaço.
Vem escura,
mas carrega consigo
milhões de pequenos brilhos.
Sozinha,
mostra-nos
sua imensidão.
Amedronta-nos,
entristece-nos,
envolve-nos
em seu silêncio.
Misteriosa,
ela chega,
pega-nos em seus braços,
faz-nos pestanejar,
faz-nos adormecer,
adormecer e sonhar.
E, ao acordar,
suspiramos aliviados.
Mais uma vez,
vencemos a noite.

Artesãdaspalavras / izilgallu

Foto ManuelaViola

14 de maio de 2010

PEQUENO HOMEM


















PEQUENO HOMEM (1)

O pequeno homem é o
que não tem coragem,
esconde-se em suas
falsas palavras.


PEQUENO HOMEM (2)

O pequeno homem é
aquele que subiu, escalou,
para fugir dos próprios medos
que deixou aqui embaixo.


PEQUENO HOMEM (3)

O pequeno homem é
aquele que não fala,
não escreve, pois teme
e tem sempre que se
esconder atrás da
pedra do sapato.


PEQUENO HOMEM (4)

O pequeno homem não é
o anão, é o gigante que,
covarde, finge-se de morto.


PEQUENO HOMEM (5)

O pequeno homem
se mantém
à distância,
usando a dor,
o medo,
a falsidade

como escudo.


PEQUENO HOMEM (6)

O pequeno homem
é aquele que usa
uma tela,
uma máscara,
para tentar provar
que é real.

.

Artesãdaspalavras / izilgallu
Ferina izil

13 de maio de 2010

PRAGAS, FEITIÇOS















Tenho pragas,
rezas, feitiços.

Alguém,
um dia,
lançou sobre minha cabeça
coisas ruins.

Fiquei perdida na vida;
não amei,
não fui amada.

Os feitiços me afastam
do meu bem-querer.

Não atraio,
não conquisto.

Sou uma farsa,
sou sofrível,
sou triste,
sou só.

.

Artesãdaspalavras | izilgallu
Ferina izil

9 de maio de 2010

ESTADO D'ALMA

Sou cruel como pessoa,
não sei ser amável,
nem sei mais ser delicada.
Meu limite como ser humano
não existe mais,
o prazer de escrever,
como quiser.
para este mundo.
mas não encontro
para esta anarquia.
se já tive um dia.
está terminando.
continuar humana.
um simples animal.
me tornei um animal.
Só me resta ainda
e este posso usar
Neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humana,
posso simplesmente ser eu,
verdadeira ou falsa,
já não sei mais.
Escrevo e me contradigo.
Sou boa, sou má.
Sou santa, sou demônio.
Sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade.
Não creio em salvação
Procuro,
soluções ou saída
Não tenho mais heróis,
nem lembro
Talvez eu tivesse, sim.
Era uma heroína,
uma mulher,
minha mãe.
Ela já está partindo.
Seu tempo na Terra
Então não preciso mais
Posso ser mesmo
.
Artesãdaspalavras | izilgallu


4 de maio de 2010

PEÇAS DE UM JOGO











Amores são como peças
de um jogo difícil de jogar.
As peças nem sempre
encontram o seu lugar.
Os jogos do amor são iguais
aos outros jogos.
Sempre há o vencedor
e o derrotado.
Amor é uma coisa estranha,
que chega,
se acomoda
e incomoda.
Falar de amor é fácil.
Sentir amor é complicado.
Por vezes me confundo.
Não sei se estou jogando.
Não sei se estou amando.
.
artesãdaspalavras/izilgallu

30 de abril de 2010

INFÂNCIA












Todos tivemos
infâncias diferentes.
Conhecemos os sentimentos
de modos diversos.
Olhamos para o céu
de forma diferente.
Noites escuras de pavor.
Chuvas alegres de verão.
Mas, para alguns,
em algum ponto,
tudo se rompeu drasticamente.
Então perdemos o rumo.
Nada mais é o mesmo.
Nada mais serve.
Não temos mais
os velhos sentimentos
guardados.
Agora se renovaram.
Mudaram de valor.
Todo o velho
agora é novo
e desconhecido.
.
Artesãdaspalavras / izilgallu

25 de abril de 2010

CAMINHOS



Caminho lentamente pela vida.
Não tenho mais pressa.

Tudo já passou por mim.
Nada mais tenho para alcançar.

Ando pelos caminhos
alheia a tudo.

Os olhos nada veem.
Sinto apenas a brisa em meu rosto,
a calma ao meu redor.

Caminho sem rumo,
e em algum lugar,
sei que vou chegar.

Artesãdaspalavras | izilgallu


22 de abril de 2010

DESPISTANDO


Despisto a tristeza.
Procuro não mais pensar.

Faço tanto esforço
que realmente já não consigo lembrar
de como é amar.

Sei lá como será o futuro
e o que me trará.

Talvez um amor?

Talvez, finalmente,
a paz.


Artesãdaspalavras | izilgallu

18 de abril de 2010

SOMENTE HOJE











Hoje, somente hoje,
deixe-me em paz.
Somente hoje me dê
liberdade.
Deixe-me pensar o que
quiser.
Fazer o que sentir vontade,
sem remorsos.
Deixe-me quieta
em meu canto,
sem críticas.
Deixe-me à vontade
com vontade ou não.
Por favor,
somente hoje
não me traga problemas.
Não me iniba.
Não me critique.
Somente hoje
deixe-me sem paredes,
sem portas nem janelas.
Deixe-me ver o sol,
a chuva.
Deixe-me em paz,
a viver.
Somente hoje.


Artesãdaspalavras / izilgallu



17 de abril de 2010

A VIDA COMO ELA É

















Tenho saudades do tempo
em que eu era sonhadora.
Tenho saudades de quando
eu viajava pelo mundo afora
com asas invisíveis.
Como era bom
refugiar-me em pensamentos.
Como era bom criar um mundo
feliz e seguro.
Como tenho saudades
do tempo em que tinha amores.
Pena...
Só descobri agora que
nunca consegui sair do ninho.


Artesãdaspalavras / izilgallu

14 de abril de 2010

NÃO TER




Vi-te pelo caminho
e nada pude fazer.

Você estava ali, tão real,
mas não pude tocá-lo.

Tem coisas que são assim.
Gostamos delas,
mas não podemos alcançar.

Talvez seja um aviso
de que nem tudo o que amamos
nos pertence.

Artesãdaspalavras | izilgallu

12 de abril de 2010

VÁ EM FRENTE

Lágrimas, por vezes,
inúteis ao fim do caminho.
Tempo perdido em lamentos.
Vida passada sem ações,
coragem faltante,

indecisão.

Não derrames mais lágrimas.
Aja.
Como se não houvesse
outras ocasiões.


Artesãdaspalavras | izilgallu

11 de abril de 2010

TROCAS



Somos responsáveis pelas nossas escolhas.
Não adianta, mais tarde, procurarmos culpados
pela nossa infelicidade.

Lamentos não resolvem nada.

Escolhas precipitadas.
Escolhas desesperadas.
Escolhas premeditadas.
Tanto faz.

Todas as escolhas podem
nos fazer questioná-las.

Achamos, um dia,
que aquele não era o caminho.

Às vezes podemos mudar,
mas essa transição é muito difícil.

Nem todos têm coragem.
Nem todos têm sabedoria para fazê-la.


Artesãdaspalavras | izilgallu

4 de abril de 2010

TEMPOS DE ONTEM



Ainda tento relembrar
algo de tempos atrás.
Loucuras,
escapadas da realidade,
sonhos ousados,
sem medo de experimentar
o improvável.
Tudo era intenso, forte,
demasiadamente alucinante,
insaciável.
Eram assim
meus sonhos,
meus desejos.
.

Artesãdaspalavras | izilgallu
.

23 de março de 2010

ACABARAM SE OS POETAS


A vida está ficando sem graça.

Os poetas, os boêmios,
já não podem mais, nas esquinas,
nos bares, parar para prosear,
ter ideias, criar.

Os marginais não dão trégua.
Os tiros estão por todos os cantos.

A boemia vai acabar
e, com ela, o encanto da vida,
da poesia, dos versos apaixonados.

Os escritores do amor
não têm mais esquinas.

Foram banidos
pela podridão dos marginais.
.
Artesãdaspalavras | izilgallu
.

21 de março de 2010

SONHOS


No abismo que nos separa,
há tantos murmúrios,
sonhos, sentimentos
jamais declarados,
jamais ouvidos.

Será que algum dia
transporemos esse abismo
e nos juntaremos?

Então teremos nossa própria canção,
que falará
do que nunca dissemos.


Artesãdaspalavras | izilgallu
.