"O BOM DA PAIXÃO
É QUE É RENOVÁVEL"
.
*artesãdaspalavras*

"Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos. Minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao escrevê-las, percorri sentidos e emoções.Tentei descrever com palavras os sentimentos mais contraditórios.
Se consegui? Não sei.
Mas valeu a tentativa."
.
IzilGallu

22 de dezembro de 2010

DEBAIXO DA PORTA


Vou olhar por

debaixo da tua porta

Te descobrir

Saber de teus pecados

Te espreitar

Te vigiar

Saber por onde andas

O que pensas

Vou abrir a porta,

para te olhar

Nos teus olhos poder

penetrar

Teu coração conquistar

Tua Alma cortejar

Vou ir além de teu olhar

Quero que me vejas

e me compreendas

Que saibas de mim,

de meus desejos.

Quero que você

olhe por debaixo

da minha porta.

.

izilgallu

poesia de 01-03-07

17 de dezembro de 2010

RETALHADA

Sinto-me em cacos,

retalhada,

despedaçada.

Não tenho mais sombra,

não sou mais ninguém.

Meus sonhos se foram.

Minha poesia acabou.

Sou certa,

mas estou errada.

Tenho visão,

mas nada enxergo.

Tenho coração,

mas não amo.

Tenho mãos

que nada afagam.

Tenho lábios

que não sabem mais

sorrir.

Sou triste.

Sou só.

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izilgallu

16 de dezembro de 2010

A TAL FELICIDADE

Busquei por tempo

indeterminado

a tal felicidade.

Procurei em rostos conhecidos,

desconhecidos,

algum sinal.

Enganei-me algumas vezes.

Não era ainda a chegada

da tal felicidade.

Procurei incansavelmente

no céu,

na terra,

no mar,

nos amores.

Nunca a achei...

Sinto agora que talvez

ela esteja dentro de mim,

e somente eu

posso libertá-la.

Então poderei experimentar

a tal felicidade.

.

artesãdaspalavras

izilgallu

8 de dezembro de 2010

BOM GOSTO









Ela já o tinha provado.

Já sabia daquele gosto.

Uma vez experimentado,

não se esquecia do sabor.

.

Ela já o tinha amado.

E, com todas as forças,

tentou odiá-lo.

Mas lembrava-se mesmo

era do sabor.

.

A dor lhe vinha à mente.

Rodopiava em sua cabeça.

Mas perdia as forças

quando se lembrava do sabor.

.

artesãdaspalavras

izilgallu

4 de dezembro de 2010

PIMENTA QUE ARDE










MALCRIADA

Sou assim,

malcriada.

Arrependo-me desta estupidez.

Falo sem pensar,

por impulso.

Erro tudo.

Peço desculpas depois.

Todos os dias

faço promessas:

vou ser mais controlada,

mais calada.

Vou pensar antes de falar.

Mas não adianta.

De repente,

tudo muda.

E viro do avesso

de novo.

Sou veneno puro.

Pimenta que arde.

Sou assim...

Não mudo.


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izilgallu

25 de novembro de 2010

VERDADES

Não sei de suas verdades,

elas nunca foram claras.

Sei de suas mentiras,

elas sempre foram

visíveis para mim.

Somente o meu amor

não é suficiente

para que a vida continue.

É preciso muito mais.

Talvez não mais de você.

Outro talvez,

mais claro,

interessado,

amigo,

enfim,

um amor real.


artesãdaspalavras

izilgallu

20 de novembro de 2010

OS LOUCOS











Você é louco,

eu sou louca.

Nada em nós faz sentido.

Somos diferentes,

distantes.

Usamos palavras de amor

e de ódio.

Não te entendo,

não me entendes.

Falamos línguas diferentes.

Por isso divergimos.

Palavras são mal interpretadas,

e então o bruxo

se torna feroz.


artesãdaspalavras

izilgallu

15 de novembro de 2010

EXILADA










Exilada

da vida,

dos amores,

das alegrias.

Exilada

na indiferença.

Exilada da juventude,

da multidão,

da paixão.

Vida sem vida.

Alegria triste.

Falta emoção.


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izilgallu

13 de novembro de 2010

Ódio do amor



Quase um começo,

um início,

um raio,

uma desestruturação total,

uma paixão.

De repente,

o recuo,

a negação,

o disfarce,

o medo,

o não querer querendo,

o afastamento.

Novamente a vontade,

a aproximação,

a mentira,

o não compromisso,

a falsidade.

Resultando na dor,

no sofrimento,

no desejo secreto,

na vontade amarga:

o ódio do amor.

.

artesãdaspalavras

izilgallu

9 de novembro de 2010

A FACE OCULTA DAS PALAVRA

Preste atenção

nas palavras de uma poesia.

Nem sempre elas dizem

o que parecem dizer.

Toda palavra

guarda um segredo.

Alguns decifram,

desvendam.

Outros passam por elas

sem compreender.

Palavras podem ter pudor

ou não.

Podem revelar

o que não se ousa dizer.

Podem ser malditas

ou mal ditas.

Podem parecer claras,

mas esconder sombras.

Preste atenção.

Às vezes,

uma única palavra

contém uma revelação.


artesãdaspalavras

izilgallu

30 de outubro de 2010

ACABOU O TEMPO

Os pensamentos se embaralham.

No fim,

não aproveitamos tudo.

Coisas vão ficando para trás.

Coisas novas,

seminovas,

usadas.

Sentimentos,

amores,

amigos.

Vamos acumulando,

vamos adiando,

vamos esquecendo.

Não há tempo para tudo

o que queremos.

Nem enxergamos mais

o que guardamos,

de tão guardado que está.

Queremos viver tudo.

Ter tudo.

Conhecer tudo.

Mas a vida passa

mais depressa

do que nossos desejos.


artesãdaspalavras

izilgallu

28 de outubro de 2010

SOLITÁRIA










Na multidão

ou

num canto,

na praça,

na festa.

Sigo trilhas,

pistas,

desencontros,

desvios.

Continuo à procura

do ser que eu queria ser

e que não sou.

Solitária.

Entre amores impostos,

destinados,

forçados.

Assim não me acho.

E vou vivendo

a vida de outro,

que não era

para ser a minha.


artesãdaspalavras

izilgallu

20 de outubro de 2010

POETISA

Tal qual um poeta

que sonha um dia

ser um grande escritor,

sou assim com as palavras,

imaginando que um dia

serei uma poetisa.

Escreverei belas poesias

que falem de amor

e não de dor.

Escreverei somente

mensagens suaves,

qual o canto de um pássaro.

Serei um dia uma poetisa

e com as palavras espantarei

a tristeza que trago trancada

em meu peito

e que tanto

me faz sofrer.

.

artesãdaspalavras

izilgallu

10 de outubro de 2010

LUA

A Lua tem me esperado.

Há tempos ela tem paciência.

Todas as noites me manda mensagens:

"Será hoje?

Vamos voltar a olhar o céu?"

Ela tem esperança

de que eu ainda volte

a admirá-la,

como fazia outrora.

Nos tempos em que eu ainda amava.

No tempo em que eu tinha ilusões.

Mas ficaram para trás

aqueles tempos.

E a Lua ainda espera

que eu volte atrás.

Voltarei, com certeza.

Mas só o tempo dirá

se voltarei a amar.


artesãdaspalavras

izilgallu

16 de setembro de 2010

PREGUIÇA











Preguiça de pensar...

Preguiça de ir...

Preguiça de voltar...

Melhor fechar os olhos

para nada ver.

Preguiça de lembrar o passado,

da magia da infância,

da liberdade da alma,

do mundo de contos de fadas.

Preguiça de abrir o coração,

de amar,

de sorrir.

Preguiça de seguir em frente.

Preguiça de ir apagando mágoas.

Preguiça de pensar no futuro,

planejar,

sonhar.

Preguiça de viver.

Preguiça de morrer.


artesãdaspalavras

izilgallu

13 de setembro de 2010

SEI



SEI TANTO

Sei tanto de nós

quanto sei

o número de estrelas

no céu.

Penso em nosso amor

como um oceano:

imenso,

profundo,

misterioso.

Sinto você

como se suas mãos

fossem nuvens macias,

belas,

inalcançáveis.

E descubro,

a cada dia,

que sei tanto de tudo

que nada sei.

.

artesãdaspalavras

izilgallu

7 de setembro de 2010

ESCREVER
















ESCREVER POESIA PARA QUÊ?
Escrever poesia para quê?
A quem interessam nossos sentimentos
mais secretos?
Poesias são as palavras que não saem,
não são pronunciadas,
então são escritas.
Mas são momentos tão nossos,
tão íntimos.
Por vezes tão chatos,
tão mesquinhos.
Outras vezes tão doces,
tão enjoados.
A ninguém deveríamos impor
a leitura de nossas intimidades.
Coisas nossas,
passageiras ou eternas.
Dores da alma,
alegrias do coração.
Não importa.
O momento escrito
pode não ser o momento do leitor.
Pode não dizer ao outro
o que sentimos,
o que desejamos.
Será que somos entendidos?
Será que somos criticados,
ridicularizados
ou amados?
Não sei mais nada.
Não sei por onde andam meus
sentimentos.
Estou confusa.
Não sei mais o que escrever.
.
artesãdaspalavras
izilgallu

6 de setembro de 2010

VIDA DEVAGAR







Passo pela vida devagar,

vou indo em direção ao infinito.

Não tenho pressa.

Não anseio a rapidez.

Quero saborear cada

momento com muita

delicadeza,

calma.

Mesmo que, em alguns

momentos, pareça que

tudo se repete,

dia e noite,

noite e dia.

Mesmo quando tudo

se torna monótono,

mesmo quando estou vazia.

A vida passa.

Não.

Ela não passa.

Eu é que estou passando

por ela.

Ela está ali,

imóvel,

intacta.

Os movimentos são meus.

Somente eu determino

como por ela passarei.

.

artesãdaspalavras

izilgallu