Sou cruel como pessoa,
não sei ser amável,
nem sei mais ser delicada.
Meu limite como ser humano não existe mais,
me tornei um animal.
Só me resta ainda o prazer de escrever,
e este posso usar como quiser.
Neste não preciso ser cruel,
não preciso ser humana,
posso simplesmente ser eu,
verdadeira ou falsa,
já não sei mais.
Escrevo e me contradigo.
Sou boa, sou má.
Sou santa, sou demônio.
Sou crente, sou descrente.
Não creio mais na humanidade.
Não creio em salvação para este mundo.
Procuro, mas não encontro
soluções ou saída para esta anarquia.
Não tenho mais heróis,
nem lembro se já tive um dia.
Talvez eu tivesse, sim.
Era uma heroína,
uma mulher,
minha mãe.
Mas ela também já estou perdendo.
Ela já está partindo.
Seu tempo na Terra está terminando.
Então não preciso mais continuar humana.
Posso ser mesmo um simples animal.
artesãdaspalavras
izilgallu


