"O BOM DA PAIXÃO
É QUE É RENOVÁVEL"
.
*artesãdaspalavras*

"Aqui estão registrados meus melhores e meus piores momentos. Minhas mais lúcidas e mais loucas inspirações. Ao escrevê-las, percorri sentidos e emoções.Tentei descrever com palavras os sentimentos mais contraditórios.
Se consegui? Não sei.
Mas valeu a tentativa."
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IzilGallu

30 de outubro de 2010

ACABOU O TEMPO

Os pensamentos se embaralham.

No fim,

não aproveitamos tudo.

Coisas vão ficando para trás.

Coisas novas,

seminovas,

usadas.

Sentimentos,

amores,

amigos.

Vamos acumulando,

vamos adiando,

vamos esquecendo.

Não há tempo para tudo

o que queremos.

Nem enxergamos mais

o que guardamos,

de tão guardado que está.

Queremos viver tudo.

Ter tudo.

Conhecer tudo.

Mas a vida passa

mais depressa

do que nossos desejos.


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izilgallu

28 de outubro de 2010

SOLITÁRIA










Na multidão

ou

num canto,

na praça,

na festa.

Sigo trilhas,

pistas,

desencontros,

desvios.

Continuo à procura

do ser que eu queria ser

e que não sou.

Solitária.

Entre amores impostos,

destinados,

forçados.

Assim não me acho.

E vou vivendo

a vida de outro,

que não era

para ser a minha.


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izilgallu

20 de outubro de 2010

POETISA

Tal qual um poeta

que sonha um dia

ser um grande escritor,

sou assim com as palavras,

imaginando que um dia

serei uma poetisa.

Escreverei belas poesias

que falem de amor

e não de dor.

Escreverei somente

mensagens suaves,

qual o canto de um pássaro.

Serei um dia uma poetisa

e com as palavras espantarei

a tristeza que trago trancada

em meu peito

e que tanto

me faz sofrer.

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izilgallu

10 de outubro de 2010

LUA

A Lua tem me esperado.

Há tempos ela tem paciência.

Todas as noites me manda mensagens:

"Será hoje?

Vamos voltar a olhar o céu?"

Ela tem esperança

de que eu ainda volte

a admirá-la,

como fazia outrora.

Nos tempos em que eu ainda amava.

No tempo em que eu tinha ilusões.

Mas ficaram para trás

aqueles tempos.

E a Lua ainda espera

que eu volte atrás.

Voltarei, com certeza.

Mas só o tempo dirá

se voltarei a amar.


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izilgallu

16 de setembro de 2010

PREGUIÇA











Preguiça de pensar...

Preguiça de ir...

Preguiça de voltar...

Melhor fechar os olhos

para nada ver.

Preguiça de lembrar o passado,

da magia da infância,

da liberdade da alma,

do mundo de contos de fadas.

Preguiça de abrir o coração,

de amar,

de sorrir.

Preguiça de seguir em frente.

Preguiça de ir apagando mágoas.

Preguiça de pensar no futuro,

planejar,

sonhar.

Preguiça de viver.

Preguiça de morrer.


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izilgallu

13 de setembro de 2010

SEI



SEI TANTO

Sei tanto de nós

quanto sei

o número de estrelas

no céu.

Penso em nosso amor

como um oceano:

imenso,

profundo,

misterioso.

Sinto você

como se suas mãos

fossem nuvens macias,

belas,

inalcançáveis.

E descubro,

a cada dia,

que sei tanto de tudo

que nada sei.

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izilgallu

7 de setembro de 2010

ESCREVER
















ESCREVER POESIA PARA QUÊ?
Escrever poesia para quê?
A quem interessam nossos sentimentos
mais secretos?
Poesias são as palavras que não saem,
não são pronunciadas,
então são escritas.
Mas são momentos tão nossos,
tão íntimos.
Por vezes tão chatos,
tão mesquinhos.
Outras vezes tão doces,
tão enjoados.
A ninguém deveríamos impor
a leitura de nossas intimidades.
Coisas nossas,
passageiras ou eternas.
Dores da alma,
alegrias do coração.
Não importa.
O momento escrito
pode não ser o momento do leitor.
Pode não dizer ao outro
o que sentimos,
o que desejamos.
Será que somos entendidos?
Será que somos criticados,
ridicularizados
ou amados?
Não sei mais nada.
Não sei por onde andam meus
sentimentos.
Estou confusa.
Não sei mais o que escrever.
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izilgallu

6 de setembro de 2010

VIDA DEVAGAR







Passo pela vida devagar,

vou indo em direção ao infinito.

Não tenho pressa.

Não anseio a rapidez.

Quero saborear cada

momento com muita

delicadeza,

calma.

Mesmo que, em alguns

momentos, pareça que

tudo se repete,

dia e noite,

noite e dia.

Mesmo quando tudo

se torna monótono,

mesmo quando estou vazia.

A vida passa.

Não.

Ela não passa.

Eu é que estou passando

por ela.

Ela está ali,

imóvel,

intacta.

Os movimentos são meus.

Somente eu determino

como por ela passarei.

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izilgallu


5 de setembro de 2010

DOIS PARA LÁ


Sou só,

não amo quem me ama.

Desperdiço meu amor com

quem não me vê.

Amor incondicional é exigente.

Quero me ver nos olhos

de quem me dedico.

Mas... não estou lá.

Estou onde não olho mais,

talvez naquele amor

incondicional.

Vivemos o amor sempre no

momento errado.

É sempre assim...

dois para lá, um para cá.

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izilgallu



28 de agosto de 2010

TEMPO, TEMPO


TEMPO, TEMPO

O tempo nos engana

e se encolhe.

A memória foge.

As imagens se recolhem.

Os melhores momentos

se vão,

quase sem deixar vestígios.

Os piores permanecem,

teimando em nos fazer

reféns.

Como se a dor

tivesse raízes mais profundas

que a felicidade.

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artesãdaspalavras

izilgallu

21 de agosto de 2010

EU = LUA


















Sou como a Lua.

Tenho fases.

Mas, diferente dela,

minhas fases são

muito duradouras.

Por vezes sou Lua Cheia,

cheia de amor,

alegria.

Outras vezes sou Minguante.

Esta é muito mais longa.

Viro uma concha,

escorrego num poço,

entro na noite sem fim.

As fases Lua Nova

e Lua Crescente

estão cada vez mais raras.

A crescente se arrasta,

não cresce mais,

só encolhe.

Não tenho mais São Jorge

nem o seu dragão.

Só crateras

e escuridão.

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artesãdaspalavras

izilgallu

18 de agosto de 2010

CENSURA




Escrever é libertar os sentimentos...

Difícil?

Sim, muito!

Sentimentos, por vezes,

estão tão reprimidos

que já não se libertam.

A vida passa

e os medos chegam.

A covardia se apossa.

Tudo parece inadequado:

o que falamos,

como agimos,

como nos vestimos.

Somos nós mesmos

que nos aprisionamos

ou será a censura alheia

que nos cerca?

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artesãdaspalavras

izilgallu

10 de agosto de 2010

APENAS PALAVRAS



A madrugada veste o véu negro,

espalha o terror,

mas também o amor.

Sob este manto,

tudo se transforma.

Até as estrelas parecem

recuar no céu.

Um grito ao longe ecoa

num canto qualquer.

A morte chega,

enquanto, em outro

canto, a vida renasce.

É tão intenso este universo,

que faz doer o coração.

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artesãdaspalavras

izilgallu

4 de agosto de 2010

BUSCAS






Infinitas buscas,

desencontros propositais,

amores não concluídos,

nem sequer conhecidos.

Ser errante,

sempre à procura

do amor perfeito.

Descobrir, tarde demais,

que ele habitava

dentro de si.

Aqui fora,

só ilusão,

momentos breves,

alegrias instantâneas.

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izilgallu

1 de agosto de 2010

A ARANHA


TEIA

Tece a teia a aranha,

num formato tão bonito.

Mal sabe a presa

que a beleza

é o fim

do seu destino.

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izilgallu

27 de julho de 2010

DESERTOR


Ando ao seu lado.

Por vezes tão perto,

tão dentro.

Mas você não percebe.

Vive em função de suas

memórias,

de sua solidão.

Sua vida é possuída por

sombras,

demônios,

carências.

Você quase não percebe

mais a minha presença.

Vive na solidão.

É um desertor da vida.

Tento inutilmente resgatá-lo

dos momentos de loucura,

fazê-lo voltar à vida,

novamente sorrir.

Mas nossas almas já

não se entendem mais.

Você faz malcriação.

O largo na mão.

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artesãdaspalavras

izilgallu

20 de julho de 2010

EU

Olá meus amigos
Esperam-me,
não desistam de mim
Estou voltando, estou saindo
da concha em que me encontro
tentando arrastar-me para fora
novamente.
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izilgallu

10 de julho de 2010

NÃO TE TEVE

Vejo-te inteiro.
Tuas entranhas,
tuas emoções,
teu coração.
Sei de todos
teus pecados,
tuas vergonhas.
Sei que queres
ser amado,
desesperadamente,
urgentemente.
Sei que estás
à beira
do desespero.
Pois quem queres
não te quer.
Por quê?
Não te vê
como eu.
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artesãdaspalavras
izilgallu

imagem: Pintura Francis Bacon

9 de julho de 2010

O LAMENTO



O lamento, penso eu,

tem a cor vermelha.

Fecho os olhos

e vejo a união

do lamento e do vermelho.

É vermelho

como a cor da dor.

Lamento,

dor,

vermelho.

Tudo uma coisa só,

a se confundir

em minha mente.

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izilgallu

5 de julho de 2010

OS FALSOS

Quando amanhece,

e as caras deslavadas

dos falsos aparecem

diante dos espelhos,

algo deveria acontecer

naquele momento.

Um arrependimento qualquer.

Ao se encararem,

deveriam ver

a própria crueldade

estampada.

Mas, se assim fosse,

não haveria mais espelhos.

Os falsos não se julgam.

Acham-se leais.

Mas leais a quem?

Ao diabo?

Que, se existir, deve ter que

carregar muitas almas falsas,

arrastá-las em seus infernos

particulares,

que um dia terão

de enfrentar.

E então deveriam lamentar

por estarem no inferno

e não poderem usufruir

da falsa vida,

da falsa moral,

da falsa conduta.

Só que nunca se lamentarão,

pois nada recordam

da verdadeira crueldade

que nos fizeram passar.

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izilgallu
Ferinaizil