
Cortiço ontem,
favela hoje.
Os nomes mudam,
mas os seres continuam
vivendo igual.
A pobreza impera,
o desprezo pela vida também.
Solução...?
Não há.
Do lado de fora,
nada.
Ninguém se importa.
Do lado de dentro,
tentam levar a vida
por entre armas,
ratos,
esgotos,
corpos caídos no chão.
Hoje um,
amanhã dois.
Ninguém se importa mais.
A vida virou banalidade.
Quem poderia socorrer
suga tudo,
todo o dinheiro,
para o seu próprio bem-viver.
Exportam suas famílias
para o mundo civilizado,
com o dinheiro que
roubam do povo sofrido.
Passeiam em seus jatos
para conferir seus euros.
Aqui no lixo,
ninguém se importa.
Não se engane:
o mundo está pouco
se importando com a
guerra travada na escuridão
dos cortiços,
das favelas,
da pobre multidão.
.
artesãdaspalavras
izilgallu
📚 Este poema foi indicado como material de apoio pedagógico na dissertação de mestrado de Deived Oliveira, Programa de Pós-Graduação em Ensino da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), 2015.