Tento remover a maquiagem,
mas ela está entranhada em minha pele,
assim como a sensação
de mãos estranhas
que passaram pelo meu corpo.
Sinto-me impura,
suja,
repugnante.
Não sei como voltar
à vida real.
Não dá mais.
Tudo está mudado.
Tudo está podre.
Não tenho referências.
Lá fora,
nas ruas.
Aqui dentro,
no inferno.
Tudo é igual.
As noites
não são piores
que o dia.
Tudo transformado
em sofrimento.
Estou à beira da morte.
Morte física,
pois as outras partes
já morreram.
A dignidade.
A alma.
A beleza.
O encanto.
Nada mais resta,
somente me jogar
em mãos sujas
mais uma noite
e esperar
tudo isto acabar.
.
artesãdaspalavras
izilgallu